Batida Salve Todos

Indies e hipsters X manos e minas!

Foi #tenso.
A última noite do Coquetel Molotov foi uma batalha visual de looks.
Manos de casacos e moleton chamavam os indies de playboys.
Já os hipsters pareciam estar com medo das minas.

Achei bonita a tentativa do festival de juntar públicos tão diferentes, mas na prática, não rolou.

China e Racionais MC’s, na mesma noite, não foi bem uma mistura de sucesso.
Quem foi assistir China (show incrível, by the way) ficou incomodado com a atitude “sou do mal” do pessoal que só queria ver os Racionais Mc’s.

Um noite de conflitos velados.
Todo mundo numa atitude “sou moderno” tentava ao máximo disfarçar os preconceitos (de todos contra todos) mas era bem obvio que ninguém conseguiu.

Os playbas (eu incluida) queriam assistir aos shows sentados, curtindo o som (#TôVelha)
Os manos queriam subir nas cadeiras e gritas por seus ídolos. Normal.

Se cada show tivesse rolado separadamente (lugares e dias) tinham sido ambos incríves.
Mas juntou, lascou!
Não me venha com essa que sou preconceituosa e tal, porque até da maconha (veja bem) os indes reclamaram. Da maconha, minha gente, essa erva que normalmente une tribos.
Ontem desuniu. Os modernos pareciam até ofendidos com a fumaça (#estranho).

Eu  estava ok, tranqs, na paz, até o momento que os manos acharam que a erva era pouco e entraram por outras drogas que eu, na minha caretice, nunca nem tinha visto ao vivo.
Aí, instigados, fãs dos Racionais invadiram o teatro quebrando, inclusive, a porta de vidro da entrada.
#tensa

Em minha desefa explico que levei para o show meu filho de 15 anos e dois amigos adolescentes. Aí, bateu a noia “mãe protetora” e até a maconha (veja bem) eu estilei (imagina o resto) e largamos no meio do show dos MC’s. Meu filho tipo: “acho que pra mim já deu” e mesmo fã dos Racionais não quis ficar.
Uma pena. Mesmo.

Não é porque é periferia.
Não é porque são playboys.
É porque não rolou mesmo! Simples assim.

Eu comecei a noite bem fascinada (estudo fashion/antropológico) com o excesso de roupa dos manos (moletons e casacos muito pesados) no calor de Hellcife. Gosto dessa diversidade. Me senti dentro do filme de Kleber Mendonça, RECIFE FRIO.
Mas, enquanto os manos estavam com roupa demais, as minas estavam com roupas de menos.
Uma loucura que minha limitada visão fashionista ainda não soube explicar.

Voltei frustrada.
Minha ideia de união entre os povos e paz mundial  ficou levemente abalada.

Achei que a atitude dos fãs não combinava com músicas que falam de respeito e igualdade que os MC’s cantavam no palco.

Desculpem a sinceridade!

A seguir, flashes do lounge do Molotov que, diga-se de passagem, foi o ponto alto do festival.

10 thoughts on “Indies e hipsters X manos e minas!

  1. ­ disse:

    “Não é porque é periferia.” Desculpa, mas é por isso sim; pobre não sabe comportar. Quebraram a porta de vidro da entrada? Que absurdo!
    Se fizeram os hipters estilarem com maconha é porque passaram, e muito, dos limites. Não fui exatamente porque já previa baixaria. Espero que não inventem de “misturar estilos” ano que vem. Não estamos em Nova York, isso não funciona aqui.

  2. Ainda bem q eu num fui. Medo medo medo!!!

  3. DanC disse:

    Desculpa, mas achei de uma infelicidade falar que a bagunça existiu por causa da periferia. Educação não tem classe social não.

  4. eva disse:

    Educação, acho que essa é a palavra. Seja lá qual sua “tribo”, saber se portar diante de cada situação é essencial!
    Vale lembrar que os shows aconteciam num TEATRO. Por mais “atitude” que se tenha deve-se levar em conta o ambiente que você está pra pautar suas ações seja você mano, seja você indie, seja de periferia… Talvez a escolha do local tenha sido infeliz. Talvez num local aberto as coisas fossem mais amenas (ou menos tensas). Reclamar de fumaça num show? Bom, quando o show é realizado num teatro – ambiente fechado – acho que quem reclamou, reclamou com razão…

  5. Teta, esse post foi difícil até de comentar, imagino de fazer. Inclusive já li os outros comments pra entender o que a turma achou. Tenso! Bom, primeiro o lugar foi uma escolha errada mesmo, festival de musica é na rua, gente. Misturar é sempre uma dúvida se dará certo, colocaram Ivete e Claudia Leite no Rock in Rio por exemplo. Acho que faltou respeito sim, faltou educação de convivência. Isso porque temos mania de viver nos lugares cômodos, onde ninguém é diferente. Turma alterna vai pra tal canto, playboys outro, e assim caminha a humanidade. Leia-se sem novidade. Porque enquanto estamos na nossa turma, como se surpreender né?
    Quando saimos da zona de conforto, acontece a zona. Digo, provocada por ambos os lados. Ninguém sabe se misturar, não importa a classe social. A única festa que havia/ainda há uma certa mistura é o Carnaval de Recife/Olinda. Mas já trataram de montar as casas de tudo quanto é coisa e descentralizar os pólos.
    No fim das contas, essa tagarela jornalista, queria dizer que é válida a tentativa do mix, mas da próxima podia ser pelo menos no campo, né? Assim a fumaça dissipa e nao tem porta a quebrar. Quem sabe começando desse jeito, a gente não consegue a paz mundial? Ou sou muito miss pra querer isso?

    Beijos, sua Linda!

  6. Téta Barbosa disse:

    Pois é Gabi, assim como o Festival, o texto e os comentários são igualmente #tensos. Ainda bem, não espero, nem quero, que todo mundo concorde. Gosto de abrir espaço para o dialogo e pra a gente parar um pouquinho e pensar. Senão fica um “finge que tá tudo bem” sem fim. Meu problema nào é a periferia! Mesmo. Sou do tipo que vou pro Alto Zé do Pinho ver show do Devotos, na paz. O problema foi a atitude dos fãs exacerbados e exageradamente ansiosos. Talvez até porque são tão poucos eventos assim que quando tem a galera enfia o pé na jaca. Acho que o problema é maior do que sonha nossa vã filosofia. Bora juntar, mas com respeito pô! Senão eu venho aqui e chuto o balde. Aí pronto, é confusão pra tudo que é lado.

  7. Augusto Cunha - aadacunha disse:

    As ” minorias ” consideram-se preteridas, sendo assim querem se impôr com a agressividade dando o mote, posto que intimidando e fazendo rolar clima de insegurança rola mais espaço para elas. Uma postura equivocada que somente contribui para que sejam sempre ” dispensados “.
    Juntar estas galeras só no Rec Beat, um espaço grande e aberto, lietralmente, onde as diversas tribus compõem o cenário e, havendo necessidade, bastam deslocamentos de local e fica melhor.

  8. Dani Oliveira disse:

    Todo mundo unido num lugar só? Aqui em Recife? Desculpe-me, mas é utopia. O Rec Beat, ótimo evento, mas eu já ouvi comentários da “turma alterna” que o dia do Quanta Ladeira não presta mais porque foi invadido pela playboyzada, que deixou de ser um evento “alterna”. Acho que estamos longe, como civilização mesmo, de vivermos sem o esquema de tribos e que por isso, um ser diferente, é tratado como invasor.

    Ah, odeio morar numa cidade em que todo mundo deve se vestir igual e sem originalidade. Já fui escrachada porque fui ao aniversário de uma amiga da minha turma, do meu grupo, porque estava de tênis e saia longa. Detalhe: EM 2011!!!!

    Beijos

    Dani
    @eunaosoumodelo

  9. patricia fernanda disse:

    Bem pessoal, pra mim, tudo isso que acabei de ler é uma grande coincidência, pois, ainda hj estava trocando ideias com professores e coordenadores do colégio(# pasmem# de classa média alta) em que leciono sobre esse tipo de discussão. E, independentemente de “tribos” ou shows disso ou daquilo,ou Rec Beat… a verdade é que, de fato, o assunto é muito mais sério!Trabalhar com jovens e crianças nos dias atuais é #tenso#…parece que algumas famílias andam tão ocupadas com tantas outras coisas fora do lar que, de repente, coisas simples como educação doméstica, ou ainda, coisas fundamentais como valores estão sendo deixados a encargo de um sistema falido de Educação, da internet ou até mesmo das tribos( que nem sempre estão a fim de ensinar essa coisa tão antiquada chamada#valores.)…menos dos pais!(sem generalizar, pois tem muita gente boa por aí ensinando o que é certo aos filhos).
    Enfim, o que vejo são professores e coordenadores acuados, com medo de, ao exigir responsabilidade de um aluno, por exemplo,o mimado(por ter sido contrariado) leve uma arma pra escola e mate o coitado do professor,afinal… que proteção nós temos num ambiente escolar?
    Concordo Téta, com a questão da falta de respeito, que está nos ônibus, nas escolas, nas famílias,nos governantes( aliás, o nosso prefeito continua usando a capa da invisibilidade?), no trânsito, nos cidadãos…
    Acredito que o que falta nos lares dessas pessoas que se comportam dessa forma é EXEMPLO e AMOR …pois quem cresce num lar assim, tem mais possibilidade de amar, respeitar, ser paciente, honesto, ser simples, prudente, grato, gentil…
    E, segundo Aristóteles, “Felicidade é a ação do espírito que manifesta a virtude.”
    E, onde está a nossa VIRTUDE?

    Bju pra tu Menina Bonita!

  10. Téta Barbosa disse:

    O bom, no fim de tudo, é que o texto gerou reflexão. Obrigado pelos comentários (os contra e os a favor). Quando todo mundo concorda, fico achando que o texto não prestou. Bjs em todos.

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