Batida Salve Todos

Banho de água fria.

Desafio você a tomar banho com balde de gelo e dizer bom dia ao seu porteiro toda vez que sair para trabalhar pela manhã.

Desafio todas as mães a tomarem banho de balde de gelo enquanto estacionam na esquina seguinte à escola dos filhos, evitando a fila dupla e o caos do trânsito.

Desafio todos a tomarem banho de balde de gelo e mesmo assim chegarem na hora marcada do compromisso. Seja ele profissional ou pessoal.

Desafio os homens a tomarem banho de balde de gelo e a jamais perguntarem “tá de TPM, é?”.

Desafio Victor a tomar banho de balde de gelo enquanto usa a pasta de dente sem apertar no meio e fechar (desafio duplo) com a tampa!

Desafio Rodrigo a tomar banho de balde de gelo, se enxugar e não deixar a toalha molhada na cama.

Desafio o próximo presidente do Brasil a tomar banho de balde de gelo e governar o país com menos promessas e mais respeito aos brasileiros. De banho frio na esperança estamos fartos.

Somos os pôneis malditos nessa viralização da auto-promoção. É essencial fazer parte do espírito de rebanho. No fim do dia, #somostodosmacacos e tomaremos quantos banhos de balde de gelo forem necessários, contanto que permaneçamos na timeline da vaidade global.

Desafio você a tomar banho de balde de gelo e não se molhar com a água de onde bebe o rebanho. Meu instagram inundou de vaidade e está encharcado de narcisismo.

Nem de água fria eu gosto.

Obs – As entidades responsáveis por promover o desafio do banho do balde de gelo, cujo objetivo era angariar fundos para apoiar pacientes e pesquisas sobre o ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) avisam que ainda esperam doações. Enquanto famosos e anônimos se exibem nas redes sociais com muita repercussão e pouca roupa, as doações são poucas e raras. Se você prefere banho morno à blusa branca molhada no instagram, mas mesmo assim quer ajudar, suas doações podem ser destinadas a Associação Pró-Cura da Ela e AbraELA.

Encontro com blogueiras no RioMar.

Essa semana rolou o Encontro com Blogueiras com Camila Coutinho, do blog Garotas Estúpidas, e Vic Ceridono, editora de beleza da Vogue e autora do blog Dia de Beauté, lá no Shopping Rio Mar. A ideia era que o evento fosse um descontraído pate papo entre as celebs da internet e suas leitoras. Fui convidada pelo RioMar para apresentar o evento e mediar a mesa redonda entre elas e o público.

Fui divertido e instrutivo. A pláteia lotou a sala 3 do Cinemark e riu litros com as histórias dos bastidores da vida das meninas.

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A volta de Nárnia.

Acabamos de voltar de Nárnia. Da Terra do Nunca. Do carrinho da montanha russa que saiu, enfim, da Caverna do Dragão.

Se havia meninos, não os achamos mais por aqui. Foram-se todos. Restaram os homens.

Foi ali, bem no meio de uma manhã ensolarada de quarta-feira, que a vida disse: “suas ideias não correspondem aos fatos”.

Ah, os fatos.

Quatro dias e três velórios depois, só sobrou uma urgência: a de amar. A urgência de viver e de ligar no meio de uma tarde de segunda-feira para dizer “estou com saudade”.

Agora, com esse sorriso de funcionária do mês, anunciamos a volta das atividades normais: pagar, dirigir, abrir, fechar, decidir, atender. E seguir. Só seguir.

- Continue a nadar, continue a nadar (sobe som Dory, Procurando Nemo)

A pausa na nossa programação é para deixar um beijo para os meninos de ontem, que acordaram adultos hoje:  Kaká, Daniel ,  Risoto,  Lôbo, Beto Figueiroa,  Pons, Rafa , Fê, Gil,  Pia, Betinho, Chokito, Godoy, Curumim, Tatá, Henrique, Schumi, Bergman, Tomahawk, Paiva, Titico, Pedro, Tom, Black, Jorginho, Chuck (sobre apelidos estranhos, trataremos em outro texto).

E antes que vocês se perguntem, “existirmos, a que será que se destina?”, comunico que não trabalhamos no departamento de adeus, mas de até breve. Muito breve.

Percol, meu filho.

Percol não era meu filho, mas de tanto Kaká, meu irmão caçula, dizer ao telefone:

“- Percol, meu filho, cadê você? A farra é onde hoje?”, desde os tempos de colégio, que meu filho de verdade, Victor, na época muito pequeno, deu para achar que “meu filho” era o sobrenome de Percol.

A confusão ainda era maior porque Percol nem era mesmo o nome de Percol. Carlos Augusto, nome bonito e pomposo, é o que está na certidão de nascimento, mas de tanto usar uma calça jeans da marca percol, foi logo rebatizado. Virou Percol e não se fala mais nisso.

O primeiro peixinho dourado de Victor, “pescado” na feirinha de animais da piscina climatizada do shopping, ganhou o nome de Percol, meu filho. Porque peixe também tem direito a sobrenome, tá pensando o que?

Kaká e Percol seguiram amigos do colégio para faculdade de jornalismo e de lá para os respectivos empregos. Um como assessor de imprensa do Prefeito do Recife, Geraldo Júlio, o outro como assessor do então Governador Eduardo Campos. Certo, confesso, foi com uma forcinha, um empurrãozinho, quase um solavanco, que Percol, meu filho, conseguiu finalmente tirar Kaká da redação do jornal para entrar no mundo da política.

Percol, meu filho, o peixinho dourado de Victor, morreu logo. Não agüentou as batidas no aquário nem o esquecimento do menino, que nunca lembrava, vejam só, de dar comida.

Percol, meu filho, amigo de infância de Kaká, foi embora hoje. Partiu, junto com Eduardo Campos e mais dois grandes amigos jornalistas, Alexandre Severo e Marcelo Lyra, na inexplicável tragédia que caiu hoje sobre o Recife.

Acordamos com a notícia improvável, o avião do presidenciável caiu. O presidenciável é como vocês, do resto do Brasil, chamam. A gente chama de Dudu mesmo. Um político que saiu da sombra do avô famoso, o véi Arrais, para ganhar o respeito de um Estado inteiro.

Hoje, independente de partidos políticos ou ideologia, Pernambuco lamenta a partida de Eduardo Campos. Aqui em casa, choramos todas as lágrimas da saudade em nome do menino da calça percol que já foi peixe e agora virou passarinho e foi para o céu.

Vai em paz, Percol.

 

Boxe e tintas.

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Minha mais nova obsessão mistura cinema, boxe e artes plásticas. Foi zapeando os milhões de canais da tv a cabo que meu controle remoto parou no documentário “Cutie and the boxer”, (tradução tosca: a bela e o boxeador) que estava passando no HBO. O filme conta a história de amor entre o artista plástico, japa crazy que pinta com luvas de boxe, Ushio Shinohara e sua esposa, também artista plástica,  Noriko Shinohara.  40 anos de amor um pelo outro e pelas tintas. Uma vida caótica, levemente bizarra, banhada de cores, amor e frustração. Uma lindeza. O documentário foi indicado ao Oscar e, se você tiver de bobeira zapeando canais indecisa se assiste Faustão ou a novela das 9h, aconselho procurar um pouquinho mais até achar essa pérola entre os porcos.

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