Batida Salve Todos

Apagão no Recife.

Tudo escuro na educação do trânsito.

Blecaute na medida da vaidade.

Curto-circuito na subestação do bom senso.

Ficamos sem energia para entender o outro, sem força para ajudar quem precisa.

Breu na timeline das redes sociais.

Segundo a assessoria de imprensa, o apagão foi causado por excesso de futilidade nas novelas e falta de relevância nas conversas.

Muito Pedro Bial, pouco João Cabral.

Muita sofrência pra pouca sapiência.

Muito selfie e pouco (todo o resto).

Ah, não era desse apagão que vocês estavam falando, não?

Oxe, podia jurar…..

 

Não somos como você.

Tatuados, gordinhas, cabelos azuis, barbas medievais,performers burlescos,artistas de cabarés, piercings em lugares nunca dante navegados. Assim é o casting da agência alemã de modelos WE ARE UNLIKE YOU. O fim da era photoshop de menininhas com nariz afilado e cabelos lisos de chapinha; somos diferentes. Alguns, mais diferentes que outros.

Bonitos por natureza. Bonitos na alma e na coragem de não ser igual.

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Como tudo que é divertido e interessante, a ideia já fez escola e agora São Paulo tem sua própria agência de pessoas diferentes. O nome, Freak Models, tem uma pontinha de preconceito. Gostei mais da ideia do que do nome, mas vale a intenção.

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O armário.

Fiz planos e tracei metas para a realização desta tarefa que parece simples, vendo assim, de longe, mas que é pior do que zerar Alex Kid, sem morrer. Cheguei em casa cedo, como planejado, alonguei, respirei fundo, tomei uma cerveja e abri a porta do quarto: “é hoje, filho”.

Ele, que poderia fazer mimimi, engoliu o choro, encarou seu destino e proferiu as palavras mágicas, “vai,entra”.

E assim começamos a organização anual do guarda-roupa de Victor.

A ideia era  limpar e se desfazer, desapega é o lema mas, já que íamos adentrar a caverna do dragão, o labirinto do minotauro e libertar os prisioneiros de Azkaban, incluindo aí roupas que não cabem mais, roupas que cabem mas nunca foram usadas, roupas que ninguém sabe de quem são e nem como foram parar lá, aproveitamos a oportunidade para arrumar.

Abrimos, em plena quinta-feira ensolarada, a porta do armário de Nárnia, sem saber ao certo o que nos esperava do outro lado dos cabides. Tiramos de lá poeira, meias sem par, provas antigas, duas ex namoradas, um restinho da infância e três sacos de roupas para doar. Enquanto esvaziávamos a terceira gaveta, chegamos ao momento tensão:

-       Victor, me explica isso aqui.

-       Calma mãe, eu juro que isso não é meu. Deve ser de um amigo. Juro.

-        Victor Barbosa de Melo.

-       Não sei como isso foi parar aí.

Nunca pensei em achar, no armário de Victor, uma camisa pólo branca com a marca do jacarezinho.

-       Seu pequeno burguês enrustido.

-       Mas eu nunca usei, juro.

A camisa pólo, apesar de ainda não legalizada lá em casa, ficou no cabide para casos  de vai que….

A parte difícil da arrumação não é tirar, jogar fora e limpar mas, colocar de volta. Para isso usamos uma técnica avançada, criada por pesquisadores da Universidade de Monstros, e aperfeiçoada por anos de trabalho escravo (Help, I slave) na função de mãe: separamos as roupas por categorias.

A categoria blusa preta, por exemplo, inclui todas as camisas de bandas de rock, metal ou de desenhos estranhos que lembrem você sabe quem. Nessa classificação, entram também as blusas pretas que não são, necessariamente, pretas. Exemplo: a branca do Ramones, a cinza do Black Sabbath e a marrom do Iron Maiden. Isso, porque, claro, apesar de não serem camisas pretas, têm alma de camisas pretas. Tereza, nossa secretária do lar, claro que não vai saber separar as blusas por alma, uma vez que todas se encontrarem na democrática máquina de lavar. Aí já viu, vai lavar a branca do Ramones junto com a branca do jacarezinho iniciando assim o embate do “durmo de meia” contra o “punk is not dead”, fazendo sua lavadora de roupas parar, por vezes, de funcionar, sem você saber exatamente a razão. Há mais coisas entre o sabão em pó e o amaciante, do que sonha sua vã filosofia têxtil.

Como havia mais categorias que gavetas, blusas de time dividem espaço, em perfeita harmonia, com as roupas de malhar, por óbvia identificação de tema esportivo. Cuecas e meias, no entanto, se estranharam um pouco por se encontrarem tão próximas, mesmo cobrindo partes tão distantes do corpo.

O problema mesmo foram as roupas de “ficar em casa”. Depois de duas gavetas inteiras de roupas de “ficar em casa” é que entendi a tática de Victor: toda e qualquer blusa que ele tinha pena de jogar fora ou doar ele jogava um “ah, eu sei que tá desbotada ou furada ou nem cabe em uma perna minha, mas dá pra ficar em casa, pô”. Isso durou até que nos deparamos com um pijama do Náutico que Victor ganhou aos dois anos de idade. Esperei ele dizer, para chocar a audiência, que dava pra usar em casa, no dedo mindinho, mas ele disse somente: essa não vai doar nem a pau. O que me fez criar uma nova categoria: roupas sentimentais.

No fim, contemplando aquele guarda-roupa limpo e organizado, fui em direção a Victor, com olhos marejados e braços abertos, mas antes de chegar perto, ele disse, cheio de ternura no coração:

-       Se tiver abraço coletivo, eu vou morar com meu pai.

Ah, os filhos! É muito amor, gente.

Recife e a peleja do sol contra a chuva.

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De um lado do ringue, pesando 1,9891 x 1030 e se sentindo o centro do universo: o Sol. Trajando roupa vermelho-alaranjada e com complexo de superioridade, a estrela maior do sistema solar entra na briga com fogo nos olhos. Mal sabe ele, em sua ego-lombra estelar, que nos causa manchas na pele, câncer e a seca do Nordeste (que agora a gente, de tão bonzinho, emprestou para São Paulo).

Lá de cima, brilhando mais que o rosto de uma recifense às 11 da manhã na Conde da Boa Vista, o Sol, ilumina a Terra de canto a canto. A menos, claro, que você more na Groelândia (nesse caso, vai estar aquecendo suas mãos na lareira do iglu, e não lendo blogs de moda). E ele, todo poderoso, quente e com a auto-estima super-aquecida, espalhou pelas redes sociais e cartões postais da Via Láctea que, no Nordeste, é sol de Janeiro a Janeiro. Como explicar que, desde Julho, está esse puxa-encolhe da chuva? Um marketing pessoal mal feito, diriam os analistas das redes sociais. Além de esfriar a cabeça, o sol precisa mesmo é de um bom assessor de imprensa para gerenciar essa crise solar.

O fato é que, chegando de mansinho e correndo da raia logo que a situação esquenta, ela, a arqui-inimiga solar, a chuva, também está pronta para o embate celeste. Pesando 0,03 gramas por gota e usando a capa da invisibilidade de Harry Potter, a chuva vem desconstruindo todo o trabalho de auto-promoção publicitária feita pelo sol há 4,6 bilhões de anos. É só ele, o sol, dar uma bobeira, sair para fumar um cigarro ou perder o foco navegando no facebook, que pronto, nuvens com pancadas de chuva aleatórias dominam o céu da Veneza Brasileira.  Uma desavença milenar: o fogo contra a água, neste confronto que deixa as donas de casa aflitas com as roupas no varal.

Se cada um respeitasse seu espaço, chuva no inverno e sol no verão, a vida seria mais mansa e o clima mais ameno. Mas, cada um de um lado, como Caim e Abel, nascidos do mesmo pai, o universo, só querem mesmo sentar na janela da galáxia enquanto gritam “ eu pedi primeiro”.  Sofremos nós, recifenses, que levam a sombrinha na bolsa num dia que faz um sol triste e saem de havaianas quando chove e alaga tudo.

Vamos tirar no par ou ímpar aê, galera?

*A foto e o título são de Rodrigo Lobo. Só pequei carona no comentário que Tavinho, meu cunhado, fez no face dizendo “esse título merece um texto”. Pronto, comprei a briga, escrevi o texto e, de quebra, tirei as roupas do varal. Vai que…..

Hora das compras.

Correndo léguas dos shoppings, fashionistas descoladas se juntam e preparam um Bazar tudo-de-bom-corre-que-vai-acabar-logo. É que a Estúdio Zero juntou “as colega” e  estarão no Bar Chef (primeiro andar) nesta quinta, sexta e sábado. Além da Estúdio, vão estar por lá as coisas lindas de Juliana Beltrão, os acessórios incríveis de Maria Ribeiro (sou fã), os caderninhos e agendas feitos a mão e cheios de arte da talentosíssima Joana Veloso (um sopro de delicadeza), as lindezas de Ester Bispo (sempre morro de amores pelas coisas de Ester na Fenearte) e os acessórios de decoração de L’amitié.

#FicaDica

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