Batida Salve Todos

Pausa dramática na nossa programação.

Não é retiro espiritual nem excesso de trabalho.

Não fui abduzida por ETs nem aderi à Cientologia.

Estou apenas em férias mentais. Tenho gasto meu tempo assistindo Meu Vizinho Assassino enquanto como pipoca com leite moça.

Sairei desta mais evoluída intelectualmente, duvido, ou babando e repetindo em estrangeiro “quem pegou meu controle remoto?”.

Quem viver, verá.

Vestindo casaco de couro e óculos escuros, postarei um selfie com pouca certeza da legenda que diz:  I’ll be back.

 

10 vidas.

Só tenho dez vidas no site online da Folha. Elas são igualmente divididas entre a leitura de 4 textos de Antonio Prata, 4 de Gregório Duvivier (suficiente, considerando que cada um só escreve uma vez por semana) e  sobram duas vidas para descobrir novos escritores antes que a Folha avise: “você esgotou suas 10 matérias de graça por mês. Para ler mais, clique em quero fazer assinatura e por apenas R$ 29,90 por mês garanta acesso livre ao nosso conteúdo.” E não adianta passar de fase lendo crônicas políticas, as vidas não aumentam.

Cliquei, mesmo sendo contra ter que pagar para ter acesso à leitura e informação que, a essas alturas da modernidade, deveria ser livre, irrestrita e de graça. Me rendi ao capitalismo, imaginando que o jornal tenha que pagar aos cronistas (espero que pague bem, porque eles me economizam horas de terapia e caixas de Dieloft) então, tem que pagar assinatura sim e se reclamar tem que pagar duas.  Clico, me cadastro e o site, que não completou o ensino médio, acha que Poço da Panela não é bairro e insiste que eu moro no Parnamirim  chegando, logo em seguida, a conclusão de que “seu CEP não corresponde ao Parnamirim (dãaaaaaaa), por isso seu cadastro não pode ser efetuado”. Tento argumentar , mas ele me ignora. Coisa de site. No que eu digo: vai ficar frescando, é? Vou agora na livraria comprar todos os livros de Antonio Prata, tá pensando o que?, acontece que sites não pensam, não respondem mas posso provar, cientificamente, que eles frescam.

Para piorar, descobri muitos textos de meses anteriores de Gregório que eu não li ainda. Então, além dos quatro de cada um preciso ler os seis meses atrasados. Para tanto, devo calcular os 4 de Prata mais 6 de Gregório (4 novos e dois antigos) o que me deixa sem vidas para ler cronistas novos.  Hoje me empolguei e li 10 textos seguidos fazendo o site avisar que “você esgotou….”, eu já sei, eu já sei, para bom entendedor, meio mimimi basta.

Agora, me sentindo a emparedada do Poço da Panela, com zero vidas e nada para ler, arrastando o chinelo e andando desolada de um lado para outro da casa, ideias criminosas passam por essa mente desocupada (já diria Maria, “cabeça vazia, parquinho do diabo). Pensei em ir na casa de Fernando Lima, vizinho do quinto andar, pedir o computador dele rapidinho. Em 5 minutos daria para fazer copy/paste de mais 10 textos. De lá passaria na casa do síndico, para repetir a operação, alegando ser um trabalho da escola de Victor. Usaria as 10 vidas de cada computador dos 42 apartamentos deste prédio e depois faria cópias para distribuir textos de graça no sinal (sobe som de risada da Malévola). Quando, moribunda e falando em estrangeiro, fosse presa por tráfico de crônicas não legalizadas, balbuciaria em minha desfesa: eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas eu só queria ler, nessa porra!

Sem forças para burlar a lei literária imposta pelos grandes veículos de informação, no entanto,tudo que consegui fazer foi escrever esse texto sem pé nem cabeça (desculpem leitores, mas a culpa é do Parnamirim que se acha o Poço da Panela) e criar um novo plano de Governo para os presidenciáveis: o primeiro que prometer acesso livre a informação e leitura ganha meu voto.

 

Eu não desisti.

Meu plano era infalível; era só dizer por aí que o Vera Cruz era o colégio mais bacana/badalado/disputado da cidade.Não era verdade, claro, ele não estava nem no top 5 do bairro. Tinha o São Luis, o Damas, até o CPI, que nem quadra descoberta tinha, estava com mais moral que o Vera Cruz. Mas bastava um boato, um marketing bem feito e, com sorte, as pessoas e professores bacanas de outras escolas iriam querer ir para o Vera. Era mais fácil trazer o mundo para o meu colégio do que sair por aí a procura de outro mais descolado.

Se meu plano não deu certo, foi por pura falta de adesão dos meus compatriotas.

Para que a notícia virasse domínio público e o Recife acreditasse que o Vera Cruz era foda, era preciso, antes, que os alunos acreditassem. Teríamos que participar da abertura dos jogos olímpicos sem achar mico, marchar no 7 de setembro pela Rui Barbosa vestindo com orgulho a farda azul com escudo vermelho, parar de falar mal dos sapatos ortopédicos das freiras e, principalmente, não fugir mais na hora do recreio para ir paquerar no São Luis.

Parte da minha estratégia de marketing corporativo era divulgar que os jambos roubados no quintal das freiras era muito melhor que os do cemitério. Juro.Também iria distribuir panfletos informando que os bebedouros de metal tinham água g-e-l-a-d-a e que o pastel de queijo com Fratelli Vita, da cantina, era o melhor lanche da região (coisa que ia ser fácil de convencer, considerando que na época nem Mc Donald’s existia).

Mas o que os alunos fizeram? Saíram de fininho numa diáspora educacional.

Foram atrás de salas climatizadas, dos índice de aprovação no vestibular e de quadras poliesportivas. Lotaram as salas/auditórios do Atual, do Contato, se espremeram nas festinhas do São Luis, se apertaram na formatura do Damas. Eu fiquei lá, com alguns amigos bons. Melhor, sobrou espaço e diminuiu a fila da cantina. Os que ficaram passaram no vestibular e se tornaram grandes amigos. Rá!

Então, sempre que leio a frase entre aspas de Eduardo Campos; “Não vamos desistir do Brasil”, imagino que não era comigo que o presidenciável estava falando. Porque, se eu não desisti do Vera Cruz, imagina do meu país. Os que trocaram o Recife por Miami devem ser os mesmos que tinham vergonha da saia-calça que as freiras nos fizeram usar (pecado fashion nunca antes visto na história deste país). Quem acha que o Brasil não tem jeito, deve ser o mesmo alguém que faltou o jogo da basquete da sétima A contra a sétima B, fazendo a turma inteira perder de W.O!

Não adianta o presidente acreditar (seja ele/ela quem for) se os brasileiros continuarem achando que nada vai mudar.

Meu plano agora? Boatar por aí que Recife é a melhor cidade em linha reta do continente americano. Quer ir comer hambúrguer com picles? Problema seu. Eu fico aqui com meu bolo de rolo mesmo. Porque, eu não sei você, mas eu não desisto das coisas que eu gosto.

Batida na TV: aprenda a bordar!

No programa de hoje voltamos ao tempo da sua avó e vamos te ensinar a bordar. Você não imagina como um bordadinho pode mudar um look.

O orkut era ruim, mas era bom.

Neste filme conhecemos o final; vamos morrer. Eu vou morrer, você vai morrer, seu vizinho vai morrer, a tia do seu chefe vai morrer. Vivemos, inclusive, dentro de um episódio de Game Of Thrones; todo mundo morre, se não neste, no próximo capítulo. Não tem dízimo, promessa nem macumba que salve. Nosso season finale está garantido, só não sabemos ao certo quantas temporadas vamos durar.

A morte não trabalha em revista de fofocas da tv, portanto, não antecipa os próximos capítulos. Nada de aviso prévio.

Um dia é, no outro não é mais. It’s the circle of life.

A morte gosta mesmo é de finais inesperados, com “nunca pensei que isso fosse acontecer” estampado na cara dos que ficaram.

Vibe errada, na minha opinião.

Para provar que a morte anda se achando a Beyonce, quando na verdade não passa de uma ex BBB em fim de “carreira”, a internet deu-lhe uma rasteira e anunciou o spoiler: o orkut vai morrer dia 30 de Setembro de 2014.

Anunciou assim, sem cerimônia,;dizendo dia, hora e local. Vai morrer a acabou-se. No more drama.

Resultado? Fui correndo para o orkut. Lá estavam as fotos, os scraps,o avatar, os amigos que passaram para o Facebook, os amigos que passaram para a lista de ex-amigos, os amigos que, na real, nem eram amigos, os amigos dos amigos dos amigos. Todos lá, naquele vazio, na imensidão deserta do mundo virtual, cri, cri, cri (sobe som de grilos). O orkut está tão abandonado que as fazendas do Colheita Feliz foram invadidas pelo MST.

Não que o orkut vá fazer falta, não vai. Mas ele era como aquele seu amigo da quinta A: faz um tempão que você não o vê, ele frequenta lugares que você nem passa na porta, ouve músicas de gosto duvidoso e usa pochete. Mas era bom saber que ele estava ali, vivo. Brega, mas vivo.

Com o orkut foi assim, ele saiu de moda como a ombreira que você usou no aniversário de 15 anos da sua melhor amiga em 1983. Ele virou o disco do Menudo, o diplik, o papel de carta da hello kit. Ninguém quer mais, mas é bom saber que ele existiu. Melhor ainda é ter tempo, graças ao aviso prévio, de se despedir e de correr lá para salvar as fotos que ficaram perdidas no limbo do cemitério cibernético.

Por isso venho, através desta, pedir encarecidamente que a Sra. Morte reconsidere seus métodos. Vamos parar com esses finais repentinos e começar a pensar em um plano de governo da mortalidade que inclua o adiantamento do décimo terceiro e do aviso fúnebre. Não custa comunicar com 30 dias  a partida de entes queridos. Prazo suficiente para despedidas, perdões, desculpas, beijos e abraços. Muitos abraços.

*No orkut eu era assim:

orkutblog